A LETRA QUE MATA ?
A LETRA QUE MATA
“Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.”
(2 Coríntios 3.6)
Para compreendermos esse texto, precisamos primeiro entender que, quando Paulo diz que “a letra mata”, ele não está desmerecendo o estudo, a gramática ou a teologia. Ele se refere à Lei de Moisés, gravada em pedras, que, quando separada da graça de Cristo, torna-se um “Ministério da Condenação”. A Lei, embora perfeita, apontava o pecado, mas não oferecia o poder para vencê-lo. Ela “matava” porque sentenciava o homem por sua incapacidade de cumpri-la plenamente.
Trazendo essa verdade para os nossos dias, quando estudamos a Bíblia somente como literatura, história ou filosofia, arriscamos lidar somente com a “letra”. O estudo isolado da experiência espiritual torna-se estéril; ele informa o intelecto, mas carece de poder para regenerar o coração. O racionalismo puro na teologia pode, infelizmente, pavimentar o caminho para o ceticismo, ao tentar comprimir o Infinito na caixa finita da lógica humana. Precisamos reconhecer com humildade que, se Deus pudesse ser totalmente compreendido apenas pelo intelecto, Ele deixaria de ser Deus e seria somente uma teoria.
Além disso, o conhecimento desprovido de amor e da presença do Espírito tende a inflar o ego, como nos alerta 1 Coríntios 8.1: “O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica.” O risco para o estudante de teologia é tornar-se um “especialista em Deus” que, no entanto, não O conhece na intimidade. Esse distanciamento pode criar uma barreira cínica, em que a fé se reduz a debates sobre dogmas, perdendo o seu “tempero” e a sua vida. O resultado, muitas vezes, é um coração endurecido que, por não encontrar respostas matemáticas para mistérios espirituais, acaba concluindo que Deus é irrelevante.
“Teologia sem o Espírito vem formando ateus.”
Na Bíblia, o conhecimento de Deus (da'at) nunca foi um simples acúmulo de dados, mas uma intimidade experimental. Jesus enfatizou em João 16:13 que o Espírito Santo é quem nos guiaria a toda a verdade. Sem esse Guia Divino, somos como turistas em um país desconhecido: contemplamos as paisagens, mas não compreendemos o significado do que estamos vendo.
A verdadeira teologia nasce do joelho da oração e não somente nos livros. Devemos ter em mente que o estudo sem o Espírito pode produzir críticos e céticos, e o Espírito sem o estudo é capaz de levar ao fanatismo e ao erro doutrinário.
O caminho bíblico é a Teologia e oração, o esforço de entender a mente de Deus enquanto o coração se submete humildemente à Sua vontade. “Não procuro entender para crer, mas creio para entender”. Se o nosso estudo não nos conduzir a amar mais a Deus e ao próximo, ele terá falhado em seu propósito, tornando-se somente uma erudição que nos afasta da videira verdadeira.
— Rafael Assiz
Pr. Rafael Assiz | @rafaelassiz
Escritor, teólogo, mestrando em Ciências da Religião (UMESP). Pós-graduado em Teologia e Interpretação Bíblica (FABAPAR). Estudos Bíblicos no Novo Testamento (UniCesumar). Aconselhamento e Psicologia Pastoral (F.I)
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