UMA REFLEXÃO PARA O NOSSO TEMPO

UMA REFLEXÃO PARA O NOSSO TEMPO

“Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês.” (Mateus 5.44)

Amar o inimigo significa recusar a vingança como princípio de conduta, não desejar o mal daquele que nos prejudica e buscar, nos limites da verdade e da justiça, o bem do outro. Jesus vai além, Ele nos ordena a amar, e também a orar por aqueles que nos perseguem. A oração muda a maneira como enxergamos o outro. Em vez de vê-lo somente como adversário, somos chamados a colocá-lo diante de Deus, reconhecendo que ele também necessita da misericórdia divina.
Antes de perguntar quem está nos perseguindo, precisamos ter coragem de perguntar se, de alguma maneira, estamos perseguindo alguém. Imagine descobrir que você é o perseguidor e a pessoa a quem você fere está orando por sua vida. Quem sabe Deus esteja usando esse texto para confrontar o meu e o seu coração e transformar a nossa maneira de agir? Talvez este texto seja a resposta à oração de alguém que temos perseguido.

Precisamos entender que a luta descrita por Paulo não deve ser reduzida a uma batalha contra pessoas, pois a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra as forças espirituais do mal (cf. Ef 6.12). Isso não elimina a responsabilidade de quem pratica a injustiça, mas nos lembra que não devemos responder ao mal com ódio ou vingança. 
Não fazemos o bem porque o outro pertence ao nosso grupo ou compartilha das nossas convicções. Fazemos o bem porque o Senhor nos ensina a amar o próximo.

Uma das dificuldades da vida cristã é reconhecer que podemos nos tornar aquilo que condenamos. Podemos denunciar a intolerância enquanto tratamos alguém com desprezo. Podemos falar sobre o amor ao próximo e, ao mesmo tempo, retirar nossa ajuda porque essa pessoa fez uma escolha diferente da nossa. Podemos pedir que Deus tenha misericórdia de nós enquanto negamos ao outro a mesma disposição.
É por isso que o ensino de Jesus continua tão necessário.
Deus permanece soberano, mesmo quando as circunstâncias nos preocupam e os acontecimentos não correspondem às nossas expectativas. O salmista declara: “O nosso Deus está nos céus e faz tudo como lhe agrada” (Salmo 115.3). Essa confiança não nos dispensa de viver de acordo com a vontade revelada de Deus. Pelo contrário, deve fortalecer nossa disposição de obedecer-lhe, inclusive quando somos tentados a responder às diferenças e às injustiças com hostilidade.

Nossa responsabilidade cristã permanece: continuar anunciando o evangelho, orando, servindo e praticando o bem. As circunstâncias podem mudar, mas não devem apagar aquilo que Cristo está formando em nós.
Não conhecemos plenamente o coração nem todas as motivações das outras pessoas. Por isso, devemos ter cuidado antes de emitir julgamentos definitivos sobre a fé alheia. Isso não significa abandonar o discernimento, pois podemos e devemos avaliar atitudes e ensinamentos à luz da Palavra de Deus. Entretanto, precisamos permitir que essa mesma Palavra examine primeiro o nosso próprio coração.

Precisamos perguntar: o que a maneira como tratamos os outros revela sobre o amor que afirmamos ter recebido de Cristo?

Que Deus nos conceda humildade para reconhecer nossos erros, sabedoria para agir com justiça e graça para amar, mesmo quando isso nos custa alguma coisa.
Porque seguir Jesus não significa apenas receber o seu amor, mas também aprender, pela ação de sua graça, a amar aqueles que ainda não aprendemos a amar.
— Rafael Assiz 


Pr. Rafael Assiz | @rafaelassiz
Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Pós-graduado em Teologia e Interpretação Bíblica pela FABAPAR, em Estudos Bíblicos no Novo Testamento pela UniCesumar e em Aconselhamento e Psicologia Pastoral pela F.I. Escritor, teólogo e pastor da Assembleia de Deus. E-mail: rafaelassiz@hotmail.com

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