A DOR NÃO PRECISA TER A ÚLTIMA PALAVRA

A DOR NÃO PRECISA TER A ÚLTIMA PALAVRA


Fala a verdade, existem batalhas que ninguém vê, não é? A pessoa sorri, trabalha, conversa, participa da igreja, mas, dentro dela, existe uma guerra silenciosa. Pensamentos de medo, culpa, solidão, desesperança e até de morte podem se tornar tão intensos que parecem impossíveis de vencer.
É preciso, porém, lembrar de uma verdade: o diabo não é soberano sobre a vida humana.
A Bíblia apresenta Satanás como aquele que mente, acusa, tenta e procura destruir (Jo 8.44; 1Pe 5.8). Mas ele não possui autoridade absoluta. No livro de Jó, vemos que suas ações estavam submetidas aos limites estabelecidos por Deus (Jó 1–2). A vida continua pertencendo ao Criador.
Por isso, não devemos transformar todo sofrimento psicológico em uma explicação simplista, dizendo: “É o diabo”. Há dores que envolvem nossa espiritualidade, mas também nossa mente, nossas emoções, nosso corpo, nossos relacionamentos e nossa história. A fé em Jesus Cristo não despreza o cuidado psicológico. Orar e procurar ajuda não são atitudes opostas.
Um pensamento não é necessariamente uma verdade. E, principalmente, um pensamento não é uma ordem.
A desesperança pode dizer: “Não existe saída”. A solidão pode dizer: “Ninguém se importa.” A dor pode dizer: “Você não aguenta mais.” Mas pensamentos produzidos em momentos de profundo sofrimento não devem governar nossas decisões.
Paulo nos ensina a levar “cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2Co 10.5). Precisamos confrontar aquilo que nossa mente diz com aquilo que Deus revelou em sua Palavra.
A Bíblia nos apresenta também a história de Elias. Após uma grande vitória, o profeta chegou a um estado de profundo esgotamento e disse: “Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma” (1Rs 19.4). Deus não tratou Elias com desprezo. Houve descanso, alimento, presença e, depois, direção.
Essa história não significa que toda crise emocional seja resolvida simplesmente descansando. Mas revela algo precioso: Deus não abandona seus filhos quando eles chegam ao limite.
Por isso, quando alguém manifesta pensamentos de tirar a própria vida, a Igreja precisa responder com amor e responsabilidade. Não é hora de acusar, envergonhar ou oferecer frases prontas. É hora de permanecer próximo, ouvir, orar e buscar ajuda.
Procurar um psicólogo não é falta de fé. Pedir ajuda não significa que a pessoa deixou de confiar em Deus. Em muitos momentos, o cuidado de Deus também chega por meio de pessoas, profissionais e recursos que Ele permite que tenhamos.
Se você está enfrentando uma batalha assim, não permaneça sozinho. Converse com alguém de confiança, procure seu pastor e busque ajuda profissional.
Não permita que uma dor presente determine o seu futuro.
O inimigo pode perturbar. Pode tentar. Pode acusar. Pode mentir. Mas ele não é o senhor da sua vida.
Sua vida pertence a Deus. E, enquanto houver vida, ainda pode haver cuidado, restauração e esperança.
Às vezes, a fé não é conseguir dizer: “Eu estou bem.”
Às vezes, a fé é ter coragem para dizer: “Eu não estou bem. Preciso de ajuda.”
E essa pode ser justamente a primeira palavra de um novo começo.


Pr. Rafael Assiz | @rafaelassiz
Escritor, teólogo, mestrando em Ciências da Religião (UMESP). Pós-graduado em Teologia e Interpretação Bíblica (FABAPAR). Estudos Bíblicos no Novo Testamento (UniCesumar). Aconselhamento e Psicologia Pastoral (F.I).


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