SE JESUS VÊ TUDO COMO REALMENTE É, QUEM PODE SE SENTIR MELHOR SÓ PORQUE O OUTRO CAIU?

SE JESUS VÊ TUDO COMO REALMENTE É, QUEM PODE SE SENTIR MELHOR SÓ PORQUE O OUTRO CAIU?

Encontrar uma pessoa pior conforta e acalma o coração depravado do homem, ele pensa que o pecado de alguém justifica o dele próprio, enquanto acusa e censura o outro, esquece seu próprio pecado. Muitas vezes olhamos para o erro dos outros porque temos medo de olhar para o nosso, e até nos alegramos na iniquidade.

O texto de João 8.1-11 expõe a tendência sombria do coração humano: encontrar alguém “pior” sempre oferece uma falsa sensação de conforto à alma depravada. O pecador imagina que a gravidade da falta alheia suaviza a sua própria, como se a comparação pudesse absolver sua consciência. Assim, enquanto aponta, acusa e censura o outro, perde de vista a realidade do próprio pecado e esquece que está igualmente sob o olhar santo de Deus. Há, nesse movimento, uma sutil perversão: alegrar-se na iniquidade alheia, algo que o amor, segundo Paulo, jamais faz (1 Cor 13.6).
Na narrativa bíblica, os acusadores da mulher adúltera revelam exatamente esse mecanismo. Eles não buscam justiça; buscam um álibi moral, uma forma de se esconder atrás do pecado de outrem para reafirmar sua pretensa superioridade espiritual. Contudo, bastou uma única frase de Jesus para desmontar toda a lógica da autodefesa farisaica: “Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.” A palavra do Filho de Deus, não relativiza o pecado da mulher; expõe o pecado dos acusadores. Eles queriam que a culpa dela justificasse sua própria justiça. Cristo revelou que a culpa deles era igualmente real, e talvez mais grave, por estar mascarada de virtude.
No fim, o texto não celebra a adúltera nem seus acusadores, mas a misericórdia que confronta e restaura: “Eu também não a condeno. Vá e não peque mais.” O evangelho desmascara o prazer do homem na queda do outro e restaura a dignidade perdida, chamando à santidade. Em Cristo, ninguém pode se esconder atrás do pecado alheio; todos são convocados a abandonar as pedras e permitir que a graça cure o coração.
— Rafael Assiz 

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