PRECISAMOS ESPERAR O CALENDÁRIO?
PRECISAMOS ESPERAR O CALENDÁRIO?
O ser humano gosta de marcos simbólicos. O fim de um ano parece um ritual de passagem: dá a sensação de encerramento, de “folha em branco”, de permissão para recomeçar. Mas isso é psicológico e cultural, não é bíblico. Biblicamente, a mudança nunca dependeu do calendário.
As Escrituras mostram que o tempo decisivo não é o chronos, o tempo do relógio, mas o kairós, o tempo oportuno de Deus. Jesus não disse: “esperem o próximo ciclo”. A mudança, na Bíblia, acontece no agora obediente, não no amanhã idealizado. Muitas vezes, esperar o ano virar é apenas uma forma elegante de adiar decisões difíceis.
Por que esperamos janeiro chegar para decidir mudar, como se Deus só agisse em datas comemorativas? O tempo passa, as páginas do calendário caem, mas o coração continua o mesmo. Talvez porque mudar exige mais do que virar o ano exige: arrependimento, coragem e obediência.
A Palavra nos lembra: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Sl 95.7,8). Deus fala no hoje. Ele não espera o ano novo para nos chamar à vida nova. Jesus não disse “no próximo ano”; disse simplesmente: “Segue-me.”
Quantas vezes usamos o novo ano como desculpa para adiar o que já sabemos que precisa ser transformado? “Quem observa o vento nunca semeará” (Ec 11.4). O problema não é o tempo; é a decisão. Não é falta de oportunidade; é falta de entrega.
Paulo nos lembra que a verdadeira mudança começa por dentro: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12.2). Isso não acontece por causa de uma virada no calendário, mas por causa de uma virada no coração. A novidade de vida não nasce em janeiro; nasce na obediência.
O ano pode mudar, as metas podem ser refeitas, as promessas podem ser escritas. Mas, se o coração não se rende, nada se transforma. Deus não nos chama somente para um ano novo; Ele nos chama para uma vida nova. E a boa notícia é esta: esse chamado não começa amanhã, começa hoje, com graça, paciência e esperança renovada no Senhor que faz novas todas as coisas.
— Rafael Assiz
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